4 de outubro de 2013

Pokémon X / Pokémon Y

Pokémon X e Pokémon Y são os novos títulos de uma das séries mais populares de videojogos de sempre, que agora se estreia na Nintendo 3DS. A sexta geração de Pokémon marca, logo à partida, a maior quebra de sempre com as tradições da série, ao apresentar cenários, personagens e criaturas completamente modelados em 3D, abandonando os clássicos sprites. As diferenças não se ficam pelos visuais, com bastantes melhorias a nível de jogabilidade e progressão no jogo e ainda a introdução de um novo tipo elemental que vem trocar as contas aos fãs de longa data.

   

Apesar das mudanças que saltam imediatamente à vista com este jogo, os aspectos fundamentais da série permanecem, incluindo a tradicional história a que já todos estão habituados. Depois de se escolher o género e nome do personagem, o herói do jogo acorda para uma nova aventura, que começa com a escolha de um pokémon de erva, fogo ou água. Desta vez, foi recrutado pelo professor Sycamore para preencher o Pokédex (a enciclopédia de pokémon) juntamente com 4 amigos. Pelo caminho, irá encontrar os típicos ginásios e respectivos líderes, que devem ser derrotados para se avançar na história. Mas é também aqui que começam a surgir as diferenças para os jogos antigos da série.

Logo de início, há uma grande variedade de pokémon que podem ser capturados, tanto novos como antigos, que permitem chegar ao primeiro ginásio já com uma equipa interessante e personalizada. Ainda nas primeiras horas, é oferecido ao jogador um segundo starter, desta vez dos clássicos Pokémon Red e Blue. Apesar da progressão no jogo se manter linear, quebrou-se a tradição de sair de um ginásio para partir em direção ao ginásio da cidade seguinte, com muitas outras cidades e locais interessantes para se visitar pelo meio, fazendo desta uma região enorme para explorar. A história é muito simples e pouco original, mas suficiente para manter o jogador interessado e saber para onde se dirigir em seguida.

   

Todo este novo mundo de Kalos é representado com um estilo artístico bastante vincado, representando uma excelente transição da série para os gráficos completamente 3D, com texturas fantásticas a preencher os cenários e modelos bastante competentes para os personagens, com o protagonista do jogo customizável e cujas roupas podem ser alteradas. As estrelas do jogo, no entanto, são mesmo os diferentes pokémon e os seus respetivos modelos 3D que, aplicado o cel-shading, parecem desenhos muito semelhantes ao artwork original. Os modelos estão perfeitos e as animações excelentes, um trabalho espetacular e que torna obsoleto o uso de sprites para retratar as criaturas tal como foram imaginadas pelos criadores do jogo. Infelizmente, todo este trabalho no aspecto visual acabou por implicar um sacrifício no uso do efeito 3D do ecrã da 3DS.

Com exceção de algumas partes específicas, o jogo não utiliza o efeito 3D da consola durante a aventura, surgindo apenas nas batalhas de pokémon e durante sequências de animação. Ainda assim, a utilização deste efeito consegue prejudicar a experiência de jogo, visto que alguns dos planos de câmara de batalha são afetados por problemas muito sérios de frame rate, causando uma perda de fluidez horrível num jogo que, em geral, consegue ser mesmo muito bonito. É um problema que se resolve imediatamente ao desligar o 3D e que os criadores do jogo reconhecem, desligando-o automaticamente quando 2 pokémon estão em grande plano, ou em batalhas com mais de 2 criaturas, mas teria sido melhor decisão abdicar completamente do efeito.


As batalhas são o mais importante em pokémon e, nesta geração, estão melhores do que nunca. Além dos excelentes modelos das criaturas, tudo está mais empolgante, incluindo a banda sonora. Os cenários das batalhas são muito bonitos e sempre adequados ao local onde o combate está a decorrer e até os menus têm uma apresentação mais cuidada que o habitual. Além das batalhas normais, regressam as já tradicionais "double battles", acompanhadas por algumas novidades. As novas "sky battles" passam-se no céu entre pokémon voadores ou que tenham capacidade de flutuar e são interessantes por essa restrição, mas não trazem uma revolução. Já as batalhas contra hordes de pokémon, também aqui introduzidas, não trazem nada de interessante e são até um pouco irritantes, mas felizmente ocorrem com muita raridade.

A principal mudança no sistema de batalhas é a introdução da Mega Evolução. A partir de um certo ponto do jogo, o protagonista descobre a capacidade de evoluir certos pokémon que tenham consigo uma Mega Stone. Este estado evolutivo só pode ser atingido durante as batalhas, sendo que o pokémon volta ao normal no final do combate, e está restrito a apenas um pokémon de cada jogador durante uma batalha. Esta mecânica permite situações em que o premir de um botão pode "virar o jogo", elevando criaturas já fortes ao nível de muitos pokémon lendários até ao final do combate, o que traz um novo nível de emoção ao jogo. Para a Mega Evolução, é necessária uma pedra correspondente que só está disponível para alguns pokémon, como a Lucarionite para o Lucario, por exemplo.

   

A introdução do novo tipo elemental Fairy na série trouxe uma nova dinâmica ao equilíbrio entre as criaturas, cujas consequências só serão avaliadas pelos fãs a longo prazo. Os pokémon do tipo Fairy possuem boas resistências elementais e contribuíram para a banalização do tipo Dragon que, até agora, tinha uma vantagem geral sobre os restantes tipos. A introdução de novas criaturas com dois elementos trouxe misturas bastante interessantes, como é o caso do Honedge (Ghost/Steel) ou o fantástico Malamar (Dark/Psychic). Alguns pokémon antigos também foram agora reclassificados com o elemento Fairy, como é o caso do Mawile (Steel/Fairy) que até tem direito a Mega Evolução.

E com tanto pokémon interessante para treinar, o jogador recebe logo na fase inicial um item Exp. Share que atribui experiência a todos os da equipa, mesmo que não participem na batalha - como não há penalização por utilizá-lo, é muito mais fácil agora evoluir a equipa como um todo. Em geral, a jogabilidade foi bastante simplificada, desde a navegação em menus à exploração do mundo. Para além do personagem ter maior liberdade de movimento, também se desloca a maior velocidade pelos cenários, seja de patins, bicicleta ou, em alguns casos, montado num pokémon.


Sempre disponíveis no ecrã de baixo, estão novas funcionalidades como o Pokémon Amie, Super Training e o PSS. O Amie é uma pequena distração que permite interagir com os pokémon e dar-lhes de comer, brincar ou fazer festinhas, fazendo com que a criatura se apegue mais ao treinador. Já o Super Training é uma das melhores novidades, um sistema que permite visualizar os "effort values" de cada pokémon e fazer treinos específicos para subir alguns stats, trazendo para a ribalta uma mecânica antiga, mas largamente desconhecida. Já o PSS envolve todas as funcionalidades de comunicação do jogo, oferecendo as opções de interação online já conhecidas de jogos anteriores como o GTS (para trocas online) e agora o suporte para SpotPass e StreetPass para receber informações globais ou de outros jogadores.

Para esta análise, apenas foi testado o modo multijogador local, sendo que os sistemas de trocas e batalhas funcionam tal como esperado em Pokémon, mas agora se encontram muito mais acessíveis. O ecrã mostra constantemente os jogadores que estão disponíveis e se são amigos na 3DS, conhecidos com quem já foram efectuadas trocas ou batalhas e ainda os desconhecidos que passaram por perto com o jogo. A grande novidade são os "O-Powers", que permitem atribuir melhorias temporárias a alguém que se encontre por perto a jogar. Por exemplo, um amigo pode ativar um poder para facilitar as capturas enquanto se está a tentar apanhar algum pokémon mais raro. Sendo algo que está sempre disponível, o PSS é a melhor abordagem até hoje para os sistemas de comunicação entre jogadores de Pokémon.


Para os fãs de Pokémon que comecem uma aventura em X ou Y sem quaisquer spoilers, o jogo é uma constante descoberta de quais são as criaturas que fazem ou não parte do jogo, quais têm Mega Evoluções e a que sítios a história os levará a seguir. Para os novos jogadores, é também o jogo mais acessível para começar, graças à sua jogabilidade simplificada e o vasto leque de criaturas disponíveis que apelam a todos os gostos. A vertente de colecionismo garante que este seja um título tão viciante como qualquer outro da série, e o grande mundo que há para explorar apela ao espírito de aventura. É um jogo divertido e gratificante, mas que também consegue deixar a desejar um pouco mais.

Pokémon X / Pokémon Y não pretende oferecer a experiência definitiva de Pokémon mas, ainda assim, é um dos melhores e mais divertidos jogos da série até hoje.